





Seu Luziano é uma figura bem conhecida na região que engloba os bairros de Lourdes, Filostro e Jóquei, em Anápolis. Possui uma profissão que nas grandes cidades já está extinta, mas sobrevive, ainda que tropegamente, no imenso interior do Brasil: ele é leiteiro. Acorda, todos os dias, às 05:00 h da manhã para que o leite chegue ainda cedo à sua clientela. A visão de sua passagem é como retroceder trinta anos no tempo: ele usa a tradicional charrete puxada por um cavalinho velho, o chapéu surrado, a buzina estridente que denuncia sua presença e o acompanha o característico chacoalhar das latas de alumínio que levam o leite. Exerce seu trabalho há quase 50 anos, de segunda a segunda, faça sol ou faça chuva. O único dia do ano em que se permite fugir da rotina diária é na sexta-feira santa.
Há uns três meses Seu Luziano teve sua profissão difamada na televisão. É que a associação das indústrias de leite longa vida patrocinou uma propaganda para desestimular as pessoas a consumirem o produto vendido pelos leiteiros. A propaganda era bem explícita, com as pessoas passando mal e depois, revoltadas, quase “linchando” o pobre leiteiro, que fugia, com os clientes furiosos no seu encalço.
A campanha só esqueceu-se de mencionar o quão prejudicial pode ser também o consumo dos leites longa vida.
Sem querer aqui defender a inocuidade e segurança de um ou outro tipo de leite, o que fica evidente é que o consumidor brasileiro tem estado quase “solitário” na incerta tarefa de escolher a qualidade dos produtos que vão à sua mesa. Faz-se urgente uma atenção maior do governo aos órgãos fiscalizadores de alimentos, que estão, na maioria dos estados, com déficit de gente. Tampouco acho que isto seria a solução de todos os problemas. O problema não existiria se não houvesse, por parte de alguns empresários, o apelo pelo lucro fácil e barato. Aí a questão transpõe a esfera pública e passa a ser de cunho moral.
Um dia é o leite, outro dia o queijo, aí vem a carne bovina, enfim, uma novela em que a cada capítulo um alimento inadequado conquista sua fama temporária.
Para este caso cabe aquela velha pergunta de quem desconhece o significado de uma palavra: “_É pra comer ou pra passar no cabelo?”. No caso do leite contaminado com água oxigenada, a resposta, trágica, poderia ser: “Teoricamente pra beber, mas é melhor usá-lo mesmo pra descolorir os cabelos!”.
Há uns três meses Seu Luziano teve sua profissão difamada na televisão. É que a associação das indústrias de leite longa vida patrocinou uma propaganda para desestimular as pessoas a consumirem o produto vendido pelos leiteiros. A propaganda era bem explícita, com as pessoas passando mal e depois, revoltadas, quase “linchando” o pobre leiteiro, que fugia, com os clientes furiosos no seu encalço.
A campanha só esqueceu-se de mencionar o quão prejudicial pode ser também o consumo dos leites longa vida.
Sem querer aqui defender a inocuidade e segurança de um ou outro tipo de leite, o que fica evidente é que o consumidor brasileiro tem estado quase “solitário” na incerta tarefa de escolher a qualidade dos produtos que vão à sua mesa. Faz-se urgente uma atenção maior do governo aos órgãos fiscalizadores de alimentos, que estão, na maioria dos estados, com déficit de gente. Tampouco acho que isto seria a solução de todos os problemas. O problema não existiria se não houvesse, por parte de alguns empresários, o apelo pelo lucro fácil e barato. Aí a questão transpõe a esfera pública e passa a ser de cunho moral.
Um dia é o leite, outro dia o queijo, aí vem a carne bovina, enfim, uma novela em que a cada capítulo um alimento inadequado conquista sua fama temporária.
Para este caso cabe aquela velha pergunta de quem desconhece o significado de uma palavra: “_É pra comer ou pra passar no cabelo?”. No caso do leite contaminado com água oxigenada, a resposta, trágica, poderia ser: “Teoricamente pra beber, mas é melhor usá-lo mesmo pra descolorir os cabelos!”.
10 comentários:
Seria engraçado senão fosse trágico!
hahahaha!!!
Boa semana e beijinhos!!!
Boa semana Rogério!
Ana Paula, é por isso que só bebo pinga. Pelo ao menos sei que tem soda cáustica na composição!
Beijo, menina
ps:te passei um e.mail com os dados para a compra do livrim. Recebeu?
Hahahah!
Valter, recebi sim. Farei contato ainda esta semana, espero. Por quê todo final de ano é assim tão corrido?
Abraços!
Ana, até à minha adolescência o leite era entregue lá em casa pela leiteira ou pelos filhos dela.Eles viviam numa quinta perto de nós e abasteciam toda a vizinhança. Nunca soube de alguém que tivesse ficado doente por causa do leite da leiteira. Vinha bem cedo, ainda de noite, a minha mãe fervia o leite e pronto! Foi um tempo que acabou. A leiteira começou a vender o leite a uma empresa, não sei se porque os fregueses a foram abandonando, ou se ela achou mais prático assim.
De qualquer modo, é ultrajante as misturas que as companhias fazem com o leite, se pelo menos fosse só água!
Que venham os srs. Luzianos novamente!
Beijo grande.
Uma lástima grande que a falta de respeito à vida já comece pelo leito, alimento fundamental para as nossas criancas.
Pena que o povo fique tao neurótico que nao saibam mais distinguir uma embalagem de leite com a fidelidade do seu leiteiro(no caso aqui seu Luziano) que os vendeu leite a anos.
A sociedade está se deixando ruir nas suas bases a ponto de ninguém confiar mais em nada.
Muito propício este seu texto.
Grande abraco
É o leite, a carne, e por aí vai... Corre-se um sério risco de se entrar numa neurose com o que se come, e pior: uma neurose bem justificada. Eu já estou quase pirando, não sei mesmo o que fazer com essa historia do leite...
Bjos
muito boas as charges!!!
apesar do assunto ser barra pesada.
beijos, querida e esteja sempre que quiser no canteiro Fina Flor :o)
MM.
LINKADAS!!!!!!
Fê, Georgia, Babs, MM e Tat: obrigada pelas visitas. Fico sempre muuito feliz!
Postar um comentário